Rocinante: O Empreendedor Pangaré em busca do (re)conhecimento

Meu nome é Rocinante. Sou o pangaré empreendedor, personagem do livro “Dom Quixote de la Mancha”, considerado uma obra prima na literatura mundial. Deram-me esse nome porque Rocin significa cavalo pequeno, fracote; um cavalo de terceira qualidade feito de sucatas, que requer cuidados especiais.

Estou agora pastando no Lago dos Sonhos do Sítio do SER, em Mottas, município de Teresópolis. Meu objetivo é lhes apresentar reflexões e significados das aventuras que passei com Dom Quixote e Sancho Pança. Não gostaria que minhas histórias se transformassem em grãos de areias levadas ao vento, ou aparecer numa simples foto ao lado deles nas redes sociais, mas sim convertê-las em morada de meu próprio (re)conhecimento.

Dom Quixote saiu de sua aldeia para endireitar as injustiças, reduzir os abusos da sociedade, dar voz e vez aos seus sonhos. Vestiu uma armadura que não se usava há séculos, colocou um penico na cabeça como se fosse um capacete protetor, e utilizou uma lança como seu elemento de ataque ou defesa.

Nada poderia satisfazer mais Dom Quixote que a crença nas próprias histórias de justiça; na sua visão de que em todos os corações do universo brotavam atos de amor e contemplação, e acima de tudo, que Dulcinéia, sua eterna amada, que só ele conhecia e amava, era a donzela mais linda e pura do planeta.

Embora Sancho Pança demonstrasse ser um leal escudeiro, sou cético em acreditar que seus interesses estivessem em ressonância com os de Dom Quixote, pois só pensava em comer e beber, sonhando com a administração das recompensas financeiras dos serviços prometidas por Dom Quixote.

Por ter estes sentimentos entendi que meu papel no empreendimento não era apenas conduzir aquele cavaleiro esguio ao seu local pretendido, mas também interpretar suas ordens confusas, nas quais moinhos de vento eram confundidos com gigantes ardilosos disfarçados; prostitutas confundidas com nobres donzelas, e frades vestidos de negro confundidos com feiticeiros diabólicos.Acho que estes meus atributos intangíveis ajudaram nossa equipe a sobreviver por mais de 400 anos em suas façanhas.

Desde o início quando Dom Quixote me selecionou para conduzi-lo a endireitar o mundo e encontrar Dulcinéia, encontrei-o num momento de total solidão, cujo seu único sócio, era sua própria sombra. Acho que por isso não levou muito a sério meu físico, e via-me em seus sonhos como um alazão com aquele elixir de presença tão necessário nos momentos de completa solidão, commuita vontade interna para servir, agir e fazer alguma coisa.

Sempre aprendi dizer sim ao prazer das experiências para sobreviver, da mesma forma que aprendi a dizer sim à dor, para que consciente e atento ao fundamental, me desapegasse de toda cobiça ou vaidade de meu empreendimento.

Confesso que Dom Quixote também me pegou nos últimos redutos de minha solidão, oferecendo-me oportunidades e sonhos capazes produzir eco com minha própria voz na busca do reconhecimento de minha envelhecencia. Revelou-me com sua luz milagrosa minha própria fragilidade e fortaleza.

A certa altura Dom Quixote não me parecia mais tão louco! Eu e muitos começaram a entender e reconhecer que sua loucura de cavaleiro, era uma tocante declaração de amor aos sonhos que não devem se curvar às tradições e poder algum.

Perto do fim de suas aventuras, o fidalgo de miolo mole que conseguiu escapar da maior de todas as prisões – a do tempo – proferiu uma de suas famosas frases que repercute na minha alma: “A liberdade é um dos mais preciosos dons que os céus deram aos homens”. Continuemos a sonhar!!!

Alfredo Laufer – Novembro, 20.2018 –

Baseado nos livros e artigos:

O Erro de Narciso – Louis Lavelle – 2003

O Diário de um Empreendedor em busca do (re)conhecimento inovador – A.Laufer – 2017

Don Quixote – Edição Penguin – Ernani Só.

Artigo de Sérgio Rodrigues. http://todoprosa.com.br/quixote-o-maluco-que-inventou-liberdade/

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