O BREXIT DO MICRO CIDADÃO EMPREENDEDOR

Imaginava que o meu esgotamento emocional e baixo astral fossem provenientes das crises institucionais que estamos vivendo, e restrita aos elevados índices de corrupção que a cada dia brotam nos noticiários pelas investigações da Polícia Federal nas entidades, empresas e “cidadãos”brasileiras.

Este cansaço fez com que eu não mais me surpreendesse ou me emocionasse com qualquer descoberta de novos milhões ou bilhões de reais encontrados nos bolsos, cuecas, calcinhas e bancos internacionais, ou das desintegrações de blocos institucionais fossem eles daqui, ou de outros paraísos fiscais.

Infelizmente, no domingo das eleições do BREXIT, no Reino Unido de sua majestade, dei-me conta que este quadro depressivo também atingiu a fleuma da maioria dos cidadãos britânicos que depositaram nas urnas suas bombas de efeito imediato, que a meu ver, já vinham sendo fabricadas há muito tempo, mas não explicitadas de forma tão contundente quanto a esta manifestação da União Europeia, que de alguma maneira permite-nos outras reflexões inovadoras.

Durante as décadas de 70 e 80 a Alemanha, seguida por outros países europeus, colocou em prática o programa denominado “Gastarbeiter”, convidando os cidadãos turcos, poloneses, gregos, portugueses de baixa escolaridade, que se dispusesse a trabalhar em segmentos considerados fora dos padrões de qualidade de vida alemã: retirada de lixos hospitalares de alta periculosidade, limpezas de ruas, construção de ferrovias e estradas que ofereciam riscos de saúde, e segurança.

Milhares de imigrantes aceitaram as ofertas, e com o tempo, o mundo cada vez mais globalizado e competitivo começou a mostrar a todos os empreendedores, fossem eles nativos ou de imigrantes, que para atingirem a eficácia e eficiência de seus custos operacionais, ou conquista de mercados necessitavam: a) automatizar seus processos e a cada dia demitir mais funcionários, ou b) expulsar os “dentistas”, médicos, engenheiros, filhos dos primeiros imigrantes que conquistaram postos em suas instituições.

Como não sou da área globalizada das grandes nações, dos grandes projetos, ouso colocar como um simples cidadão, as causas que julgo pertinentes para esta saída: existe um somatório de desesperanças dos indivíduos, dos micros e pequenos empresários que ao compartilharem com suas famílias as dificuldades, angústias, incertezas diárias para sustentação de seus empregos, salários, e empresas se cansaram dos versos e prosas prometidos pela globalização, que proporcionaria um futuro melhor com grandes realizações para todos.

Os empregos que eram do lixo se transformaram em artigos de luxo, como diria nosso Joãozinho Trinta. Os desfiles das passeatas dos jovens desempregados estampavam o enredo de sua agremiação nas camisetas: Fora com os imigrantes!

Com certeza existem muitas outras interpretações de cientistas políticos e especialistas que enfatizarão aspectos macros de geoeconômicos, sociais, ambientais, segurança contra o terrorismo, explicando os porquês da maioria pela saída do bloco europeu.

Depois de esperarem quase 40/50 anos, me parece que chegaram aos limites de tolerância mínima. Pesaram com certeza, as enormes vantagens, não só da maior longevidade que alcançamos pelos progressos científicos e tecnológicos, como outras consequências imediatas, como por exemplo, a maior valorização das mulheres com o advento das pílulas anticoncepcionais, e maior autonomia e individualidade com as constantes inovações de bens e serviços utilitários.

Por outro lado, estas mesmas tecnologias permitiram com os desenvolvimentos de processos de inteligência artificial a drástica substituição de seres humanos por máquinas, aumentando as eficiências de gestão, mas reduzindo drasticamente os empregos e estabelecendo que a distribuição de renda estivesse cada vez mais concentrada numa minoria absoluta.

Conclusão: embora a globalização e a competição tragam inúmeros desenvolvimentos científicos e tecnológicos inovadores estão nos tornando robôs, e o BREXIT dos micros é o grito de alerta para cultivarmos nossa sensibilidade de Humanos.

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