Janeiro 26, 2019

Estou envelhecendo, ou as coisas é que estão se perdendo?

Sempre me preocupei em observar detalhes que pudessem me trazer algum tipo de incômodo ou conhecimento e, ao notar meus comportamentos, comecei a achar que estava contagiado por uma “doença”. Dessas que não prejudicam o corpo, mas que podem ser contraídas em contato com um vírus ou bactéria da modernidade. 

Talvez seja uma doença coletiva com fortes tendências a afetar a mente das pessoas. Quase imperceptível em seu processo inicial, porém com sintomas paralisantes no seu desenvolvimento. Ainda não entendi ao certo que tipo de doença é essa, e por isso recorro à sua ajuda.

Dia desses, abri meu e-mail e deparei-me com uma reflexão acerca da quantidade de compromissos a que as pessoas se obrigam diariamente. A reflexão expõe constrangimentos e preocupações com o assunto, mas, curiosamente, mostrou-me a incapacidade de realizar somente um desses compromissos de cada vez. Tenho o hábito de iniciar uma série de tarefas e não levar quase nenhuma delas “aos finalmente”. Permito-me transmitir como se fosse meu, o relato anônimo:

Que bom que já estão identificando o mal que sofro, agora só falta descobrirem a cura. Mais alguém sofre deste mal? Vou tentar explicar melhor:

Certo dia, decidi lavar o carro, rumei em direção à garagem e notei minha correspondência largada em cima da mesa. OK! Vou lavar o carro, mas, antes, vou dar uma olhadinha na carta, pois pode ter algo urgente. Ponho as chaves do carro na escrivaninha e, quando vou jogar fora as propagandas inúteis, noto que a lixeira está transbordando.

Vou colocar as contas a pagar na escrivaninha e jogar o lixo fora, mas quando chego lá fora, dou de cara com a caixa do correio, decido voltar e pagar primeiro estas contas. Agora, onde está o meu talão de cheques? O acho na gaveta. Ops, tenho apenas folha. Meus novos talões devem estar na escrivaninha.

Oh, lá está o refrigerante que eu estava bebendo! Vou buscar aqueles talões, mas antes eu preciso levar essa latinha para longe do computador. Talvez seja melhor colocá-lo na geladeira para gelar um pouco. Vou em direção à cozinha e vejo o jarro de flores. As flores precisam urgentemente de água.

Coloco a latinha no balcão da cozinha e oh! Achei os meus óculos! Procurei por eles a manhã toda! Melhor eu guardá-los logo. Encho um regador com água e vou em direção às flores… aaah! Alguém deixou o controle remoto da TV na cozinha. À noite, quando formos assistir à televisão, nunca iremos pensar em procurá-lo na cozinha, então é melhor levá-lo para a sala, onde é o seu devido lugar.

Rego as plantas e, sem querer, derramo um pouco de água no chão. Jogo o controle remoto no sofá, vou andando pelo corredor e tento me lembrar o que eu estava indo fazer.

Final do dia: o carro não estava lavado, as contas não estavam pagas, a latinha de refrigerante estava largada no balcão da cozinha, as flores foram regadas apenas pela metade, não sei se tenho novos talões de cheques, e parece que não encontro as chaves do carro. Não encontro meu celular…minha carteira…ou onde estacionei o meu carro…
Estou envelhecendo rapidamente ou as coisas estão se complicando?

Alfredo Laufer