Brasil que nós queremos

15/12/2016

O BRASIL QUE NÓS QUEREMOS.

Acredito que estamos passando por um momento em que todos se perguntam: Como iniciar um processo de mudanças para o Brasil que queremos?

Diversas foram às manifestações de rua em que participei com esperanças de contribuir com alguma coisa que pudesse mudar nosso país. Cheguei até, a ter meus 10 segundos de fama, quando o jornal New York Times , na década de 90, publicou minha foto com as cuecas nas mãos (sem nada dentro...). Estava protestando contra a escalada da corrupção e dos juros no Brasil em frente ao Banco Central do Brasil, o que tornava insuportável nossa sobrevivência como cidadãos e pequenos empresários.

Eu e amigos imaginávamos um Brasil diferente daquele em que vivíamos. Sonhávamos em fazer uma revolução criativa, dando vez às nossas vozes contra os desmandos da época.

A organização da passeata “Fora Collor” num domingo na praia de Copacabana, foi um marco de reflexão para minha vida. Imaginava que a manifestação contra o governo seria uma coisa simples: reunir gente que estivessem indignados e p...da vida com as corrupções. Certo?

Errado! Entendi que o processo não se limitava apenas àquela manifestação, e que o buraco negro da complexidade era bem mais abaixo. Precisávamos de propostas, de metas, de objetivos a serem colocadas em prática depois da manifestação. Como conseguiríamos acompanhar os resultados. Como se desdobraria o movimento? Precisávamos de uma organização e governança, pois do contrário todos os nossos esforços estariam desperdiçados.

Meses antes do evento, diversas entidades da sociedade civil se encontravam semanalmente no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, todas contra o governo, com objetivo de planejar a passeata e propor sugestões para os descalabros políticos. Quais entidades (instituições) seriam responsáveis pelos acompanhamentos dos resultados sugeridos aos temas específicos tratados com especialistas e pessoas da sociedade civil?

Levamos semanas, e muitas horas discutindo quais as “palavras de ordens” que seriam emanadas do carro de som, e quem pegaria o microfone para emissão das plataformas. No calor destes preparativos vi como era difícil chegar a uma conclusão, onde todos tinham o aparente consenso.

Aprendi que um trabalho solidário de uma comunidade requer muito mais do que simples palavras e vontades. Requer tempo, organização, estratégias, metas, e planos bem definidos. A presença de caras pintadas, camisetas verdes amarelas são muito importantes e ajudam no processo, mas infelizmente só estas vontades não são suficientes para a mudança que pretendemos.

Como o dispêndio de nosso tempo é cada vez maior, devido nossas atividades profissionais e familiares, em pagar nossas contas, depositamos ilusões em alguém ( que não conhecemos) mas que possua uma vara mágica poderosa vá conduzir o país em direção ao que queremos.

Infelizmente somos testemunhas das consequências do uso das varas mágicas daqueles, nos quais depositamos estas ilusões.

Então, o que fazer? Desistir de lutar por mudanças e esquecer nossos sonhos; ou nos voltar para discussões e projetos básicos para nossa sociedade?

Precisamos discussões e projetos específicos com entidades e especialistas que tenham conhecimentos profundos sobre cada assunto, e tragam suas sugestões para a sociedade civil opinar. As simples repetições de ideias e sugestões, através redes pessoais ajudam um pouco, mas não são suficientes para a sistematização de um processo de mudanças que precisam de ferramentas contínuas de controle.

Os desabafos, as indignações de nossas frustrações, e calamidades que diariamente estamos conhecendo são importantes serem apresentadas, mas não são suficientes para uma mudança.

Temos grandes especialistas, em todas as áreas importantes, para estabelecermos e discutirmos ações e projetos para o Brasil que nós queremos.

Brasil que nós queremos