Girassois: na adolescência e na envelhescência

01/09/2016

Uma questão que tem “pipocado” na minha cabeça com frequência, neste período de envelhescência, é encontrar uma possível resposta de como não ficar obsoleto nesta época de inovações contínuas, na qual as informações, tecnologias e bens de todas as espécies surgem em progressão exponencial, para absorção dos novos conhecimentos e consumo.

Tudo parece ter com um ciclo de vida definido, não só pelos genes dos processos biológicos de cada elemento, como também pelos genes de consumo cuja principal função é a de tornar as moléculas obsoletas rapidamente, para que novos produtos, processos e serviços apareçam, e os “velhos” rumem para a lista dos descartáveis na cesta sessão.

Como escapar de pertencer a esta cesta de inservíveis quando a gente ainda sente alguma energia e desejos pulsando? Como evitar o próprio estacionamento numa prateleira empoeirada, possivelmente junto a uma máquina de escrever Olivetti (aquela verdinha), fisicamente vivo, mas sem nenhuma serventia?

Ao longo destes anos de trabalho e estudo fui consolidando uma máxima popular que diz que “aquilo que não é usado com o tempo pode ser dispensado ou até cair, ou o organismo faz desaparecer”. Assim, tenho convivido e procurado utilizar cada célula do meu organismo, por menor que ela seja.

Conseguir uma envelhescência saudável, sem possíveis traumas fisiológicos ou psicológicos, seja uma das receitas mais procuradas por cientistas, instituições e empresas e os exercícios e regimes físicos, mentais, e alimentares fazem parte deste cardápio. Exercitar o velho…ditado do “mens sana in corpore sano” parece que ainda funciona.

Dentro desses questionamentos, fui criando e desenvolvendo três metodologias que se tornaram uma trilogia (sempre existem 3 lados ao invés de 2), que busca encontrar os possíveis caminhos de como conjugar uma adolescência na envelhescência. Quem na envelhescência não gostaria de retornar à adolescência? Quem não gostaria de beber um elixir que pudesse unir a juventude de ontem com a experiência de hoje?

Para honrar minhas teorias, resolvi ser a cobaia, e colocar em prática as metodologias desenvolvidas, tirando um ano sabático para estudos e pesquisas sobre mim mesmo, e quem sabe, trilhar um outro caminho para as Índias, e chegar à eterna fonte da juventude na minha envelhescência..

Durante os últimos 6 meses no Rio, antes de viajar para a Universidade da California, em Davis, imaginei que resolveria todos os problemas “de letra”: sair da casa onde moro há muitos anos; fechar os contratos de trabalho; me afastar das rotinas e habitualidades; dar um até já para os amigos. Não foi o que ocorreu: sofri e penei muito, mas a esperança de encontrar um novo caminho, me excitava e me dava forças para sair da comodidade, e tentar curtir novos desafios. Não foi mole!!!

Cheguei finalmente em Davis, a terra prometida de minha experiência. Uma cidade orgânica, muito bem posicionada no ranking de preservação do meio ambiente e a sustentabilidade, e com pesquisas de ponta nos setores agrícolas e de saúde.

Se para “ter mens sana in corpore sano” implica em alguns sacrifícios com andar de bike, evitar o carro próprio; se adaptar aos novos costumes, modos, gírias, tudo bem… É válido o sacrifício, desde que os resultados possam ser positivos no contexto global.

Mas na semana passada, ao ser convidado para um jantar tive conhecimento de uma pesquisa sobre o ciclo de vida do Girassol – aquela flor que anda em busca do sol, e confesso que estremeci na base. O fato de estar escrevendo este BLOG é buscar subsídios para contrapor os argumentos encontrados no Girassol.

Em artigo publicado no Science, pesquisadores americanos reveleram que o Girassol possui um relógio biológico interno que possui a habilidade de detectar a luz, e accelerar o crescimento de seus genes no tempo certo, permitindo com isto, que o seu caule se flexione em arco em direção ao sol.

O time de estudiosos mostrou que quando os girassóis estão velhos, eles param de fazer este movimento de flexão de seus caules, e ficam estacionados na posição Leste, aguardando que calor de suas pétalas atraiam a polinização.

Se o conceito do ciclo biológico do Girassol servir para os seres humanos minha trilogia está fadada ao fracasso, mas se os humanos, ainda tiverem vivos os genes da solidariedade, da comunicação, do diálogo como mais poderosos que os do Girassol, talvez possamos continuar na direção de encontrar a adolescência na envelhescência.