O FALSO PRINCÍPIO DA NOSSA EDUCAÇÃO

04/06/2015

Uma das experiências mais marcantes de minha vida profissional ocorreu numa feira industrial de plásticos, em Dusseldorf, a famosa K, no final da década de 70, quando os japoneses tais como os chineses de hoje, buscavam novas tecnologias para agregar aos seus produtos e serviços, copiando tudo de todo o mundo.

No primeiro dia de feira estava pontualmente no horário de abertura em frente aos portões, acompanhado de milhares de visitantes, cheio de expectativas para iniciar minha turnê pelos estandes, e conhecer o que poderia levar para minha empresa em forma de tecnologias, ou quem sabe, até novos produtos.

Minhas únicas intenções e preocupações eram como conseguir percorrer os gigantescos pavilhões em apenas três dias, e conhecer cada ala, cada trecho das grandes avenidas de expositores. O resto viria por si só... A viagem custava caro e não poderia voltar de mãos abanando para o Brasil sem alguma novidade...

Duas horas depois, já estava assistindo a uma demonstração de uma máquina, quando ocorreu o fato, que até hoje me marca o corpo e a alma. Entraram no estande oito japoneses, cada um portando seus acessórios fotográficos, gravadores, pranchetas, filmadoras. O líder do grupo japonês solicitou ao gerente do estande, a gentileza de paralisar a máquina para observar alguns dos mecanismos internos.

O gerente do estande informou que não poderia paralisar, e a negativa gerou uma grande discussão que atraiu diversas pessoas para assistir o desenlace. Após alguns rounds de trocas mútuas de agressões, os japoneses conseguiram conquistar seus direitos, e lá estava a máquina sendo aberta para um ataque cirúrgico em massa do enxame de japoneses: cada um ia dissecando, fotografando, entrevistando, desenhando os circuitos e mecanismos do funcionamento do coração da máquina que lhes interessava.

O que me chamou atenção neste episódio foi o fato, de como no primeiro dia de feira, nas primeiras horas, aquele grupo de japoneses já sabiam exatamente o que eles queriam ver? Verifiquei que tinham planejado tudo, em reuniões coletivas com seus setores fabris muitos meses antes da feira ser aberta ao público. Ao irem para a feira sabiam exatamente os estandes a serem visitados e suas localizações, os conhecimentos que necessitavam ser aprendidos, etc.

E eu, como me preparei para esta feira? Simplesmente fui com a cara e coragem, sem ter planejado nada. Achava que iria aprender alguma coisa só com o rolar da carruagem da feira. Aprendi foi muito com os japoneses.

O falso princípio de nossa educação está em que achamos que podemos aprender tudo na véspera.

O FALSO PRINCÍPIO DA NOSSA EDUCAÇÃO