A Vingança de Zeus em Alexander e Bieber: Reis do Camarote

11/11/2013

Lembremo-nos do episódio da divisão do Olimpo (veja blog: No mundo dos humanos-em www.ceuconsultoria.com - 25/03/13): Os deuses e homens estão reunidos no Olimpo e Zeus encarrega Prometeu, um ardiloso e esperto empreendedor, a proceder a repartição dos espaços entre os deuses e humanos. Prometeu usa a estratégia de matar um touro fantástico, e divide-o em 2 porções: na primeira coloca todos os ossos envoltos numa capa super apetitosa de gordura fina, e na segunda coloca todas as carnes nobres envoltas na pele do touro e as coloca na barriga do animal, viscosa, feia e desagradável de se ver.

Prometeu apresenta as 2 porções a Zeus, e dependendo de sua escolha, o traçado de fronteiras entre deuses e humanos seria determinada: Zeus olha as 2 porções e diz à Prometeu: “Como tu, Prometeu, tão inteligente pôde fazer uma divisão tão desigual?”. Com um ar de absoluta satisfação Zeus, pega a porção mais bonita, mais apetitosa com o sebo branco. Quando ele abre o embrulho e descobre os ossos totalmente descarnados, tem um tremendo ataque de raiva contra Prometeu. Zeus promete vingança!

Assim, os humanos vêm para a Terra, e os deuses ficam no Olimpo, pois segundo estratégia de Prometeu, os humanos têm necessidade da carne que está na terra, e os deuses se alimentam de néctar, que está no Olimpo.

O tempo passou rápido para os humanos, que, anestesiados pelas inovações e descobertas, achavam que o episódio da era mitológica entre Zeus e Prometeu já estava esquecido. Puro engano! Zeus ao se refazer do ataque de raiva convocou Simulacro (divindade pagã que falseia, finge e simula) para elaborar um projeto estratégico de como iludir os humanos para que conseguissem uma falsa felicidade. Simulacro será o inspirador da ilusão, da simulação.

Simulacro, com a paciência que só divindades possuem, traça cuidadosamente o processo de implantação da felicidade falsa no mundo dos humanos.

Numa primeira etapa, lançou o vírus da riqueza e da prosperidade material em todos os setores de atividades. A felicidade e alegria humana passaram a ser percebidas e conquistadas por meio do progresso quantitativo das contas bancárias, explorando todos os meios e recursos, legais ou não, disponíveis. Questões como amor, amizade e satisfação de cuidar dos entes queridos passaram a ser tratados como perda de foco, falta de objetividade. A felicidade e alegria seriam encontradas nos consumos desenfreados e compras de bens que a conta bancária permitisse, ou por meio de empréstimos em entidades bancárias, o que dariam grande estatus ao tomador.

Numa segunda etapa, Simulacro, com sua diligência e sabedoria, criou a mídia e propaganda onde peritos redatores de publicidade poderiam difundir nas ruas, e até nos lares dos humanos, imagens de homens e empresários de sucesso, adolescentes como super-homens, e crianças vestidas com grifes, aceitas por suas turmas. Para as mulheres de todas as idades, lançou o espelho anti-celulites, de forma tal, que sempre estivessem “in”. Jamais se sentiriam “out” na moda. Nunca envelheceriam com aplicações de pequenas quantidades de Botox. O importante para todos seria apresentar a marca e logo certos no momento certo: isto manteria a posição social que detemos ou a que aspiramos. Nossas realizações e qualidades estariam nas marcas e logomarcas que usamos.

Na terceira e última etapa (para não ficar longo e chato), Simulacro criou os 10 mandamentos de como se manter distante das misérias da felicidade. Seria um resumo do que fazer com o dinheiro que sobra, depois de se cuidar de todos os investimentos fundamentais. Um deles, por exemplo, seria aparecer num luxuoso vídeo intitulado “Rei do Camarote”, se mostrando em trajetória ascendente como fonte símbolo de felicidade alcançada. Isto poderia representar um orgasmo, ou esperança de reconhecimento ou recompensa por dias repletos de escolhas perigosas e enervantes.

Conclusão: Zeus, no centro de seu Olimpo, ri do mundo de fantasia criado por Simulacro para os “Alexanderes” da vida brasileira e “Justin Bieberes” do mundo.

A Vingança de Zeus em Alexander e Bieber: Reis do Camarote