O LABIRINTO EMPREENDEDOR

04/11/2013

Nesta última semana de outubro, coordenei pelo CEU o 1º evento do projeto “Profissional do Futuro” para a feira OTC (petróleo e gás), patrocinado pelo IBP- Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, levando cerca de 1400 alunos e professores de mais de 20 entidades de ensino para a importante feira.

Este programa surgiu devido a um fato que presenciei numa das visitas à feira K de plástico, na cidade de Dusseldorf, Alemanha em meados de 1970. Naquela época, os japoneses estavam copiando tudo de todos. Era o primeiro dia da feira e estava observando a demonstração e operação de uma máquina extrusora num estande, quando apareceram 8 japoneses, cada um levando suas câmaras fotográficas, filmadoras, gravadores,etc. O chefe dos japoneses se aproximou do gerente do estande e solicitou que paralisasse a máquina, pois eles queriam ver o mecanismo interno da máquina. O gerente disse que não podia, e imediatamente a discussão tomou conta do local, atraindo diversos curiosos.

Depois de muitas discussões, o gerente parou a máquina e cada japonês assumiu uma posição diferente para suas averiguações: um entrevistava o gerente, outro subiu na máquina para um melhor ângulo, outro com sua prancheta anotava, etc. Eu estava ali perplexo com a atitude dos japoneses e me perguntava como, no primeiro dia de visita, já sabiam o que queriam ver, enquanto eu me encontrava num verdadeiro labirinto de imensos pavilhões, com milhares de empresas para visitar, sem a menor ideia do que iria encontrar.

Fiquei tão atônito com o ocorrido, que me perguntava se aquilo era um sonho ou um pesadelo. Para mim era mais um pesadelo, pois as minhas dificuldades financeiras para a viagem eram enormes, e aquela cena com os japoneses me trazia uma culpa enorme, de estar ali como um turista sem nenhum preparo.

Resolvi sair da feira naquele instante, e entrar novamente na feira com outros olhares. Aí vi uma quantidade enorme de gente de muitos países, estudantes guiados por professores que levavam um mapa de estandes a serem visitados, entrevistas marcadas com fornecedores, pontos técnicos a serem sanados, pesquisando inovações em suas áreas, etc. E eu fui com a cara e coragem a me deslocar num labirinto gigantesco.

Este fato me lembrou a história de Ariadne, da mitologia grega, que se apaixonou por Teseu que levava rapazes e moças atenienses para o Minotauro, escondido em um palácio projetado pela engenhosidade de Dédalo, de tal forma que ninguém conseguia sair, tal a complexidade do labirinto construído. Ariadne procurou ajuda do habilidoso construtor. Dédalo lhe deu simplesmente um rolo de fio de linho, que Teseu deveria prender à entrada e ir desenrolando à medida que entrasse no labirinto.

A partir deste fato, comecei a me preparar para as feiras, reunindo-me com as diversas equipes para verificar nossos pontos vulneráveis que poderiam ser melhorados ao programarmos uma visita a um labirinto de possíveis conhecimentos como uma feira técnica.

Li outro dia num cartaz de ônibus: “ Não dê crédito ao futuro, pois ele muda constantemente de opinião.”

É verdade que estamos vivendo uma era de aleatoriedade: todos os dias somos bombardeados por inovações, instabilidade, mas podemos e precisamos ter um mínimo de planejamento para melhorar nossa competitividade e aumentar o valor agregado de nossos bens e serviços.

O LABIRINTO EMPREENDEDOR