O espírito empreendedor das abelhas

06/10/2013

Diz o ditado popular que em time que está vencendo não se mexe. Certo ou errado?

Eu já andava desconfiado que isso fosse um pouco complexo de se entender com precisão, até que me deparei com o livro de Maurice Maeterlinck, “A vida das abelhas” (recomendo fortemente: satisfação garantida ou seu dinheiro de volta...) que mexeu literalmente com meu time, que não está vencendo, e que luta para não ser rebaixado para a segundona.

Maeterlinck ao estudar a vida das abelhas descreve um novo conceito, até então desconhecido por mim: o espírito da colmeia. O que isto significa? Explica ele que as abelhas depois de um trabalho insano de construção de sua colmeia (vale a pena conhecer os detalhes) resolvem numa determinada hora fazerem o grande sacrifício da enxameação, que significa que chegado ao auge da sua prosperidade e do seu poder, abandonam sua colmeia, seus “palácios” e o fruto de seus trabalhos, para irem procurar ao longe, a incerteza de uma nova “pátria” para construção de um novo lar.

Um ato que, consciente ou não, excede muitas vezes ao entendimento humano.

Tentei debruçar-me neste ato de aparente abandono e loucura, e tentar compreender qual o admirável sentimento que brilha na colmeia. Aonde vão depois de tanto trabalho? Qual o alvo de suas vidas? Em princípio não via nada que guiasse os passos malucos desses insetos tão doces, que num período longo trabalham obstinadamente, edificando e se amontoando em sua colmeia, e num período seguinte dispersam-se como se não soubessem o que desejam ao certo.

Comecei a achar num primeiro momento que as abelhas eram muito parecidas com os humanos, em que nada nos contenta, que sempre está faltando algo, que nosso alvo está sempre a se deslocar para outro lugar daquele em que estamos.

Mas entrando um pouco mais profundamente no espírito da colmeia comecei a perceber a alma empreendedora das abelhas. Elas não se satisfazem a fazer florescer um determinado espaço. Elas necessitam sentir e viver a “alma do verão” que seus relógios biológicos difundem e irradiam em seus voos, extrapolando seus momentos de abundância em alegrias que nascem do seu “delírio do sacrifício”.

O espírito da comeia é um verdadeiro espírito empreendedor, se curvando e dobrando todas as rotinas e hábitos de trabalho, espreitando e procurando sempre sair dos sulcos já demarcados por soluções encontradas. O verdadeiro espírito empreendedor delira para encontrar novos horizontes onde suas potencialidades possam ser alvo de si próprio.

O verdadeiro espírito empreendedor jamais duvida de seu futuro, mesmo que outros não entendam nem reconheçam. Ele acredita que sua partida seja a esperança de descendência, e que a curiosidade domine seu coração.

O espírito empreendedor das abelhas