Simplicidade ou Complexidade?

01/10/2013

Quando Zeus solicitou a Prometeu que encontrasse uma fórmula de dividir o mundo, pois tanto os deuses como os humanos estavam se queixando da complexidade dos relacionamentos entre eles, Prometeu (filho de um deus com um humano) encontrou a solução ao matar um touro e fazer dois embrulhos (veja blog de 25/03- No mundo dos humanos...): num deles colocou ossos e ornamentou-os com uma capa apetitosa. O segundo, com as carnes nobres colocou no estômago do boi morto.

Zeus, achando simples a solução, escolheu o primeiro embrulho, e, ao se deparar com ossos, ficou “p da vida” com Prometeu. Prometeu justificou o local dos deuses, indicando o OLIMPO (o CÉU) para sua morada, explicitando que os deuses não precisavam de carne, pois se alimentavam de néctar.

Zeus prometeu que um dia retornaria e se vingaria dos humanos...

Os humanos, ao chegarem à Terra, começaram a se sentir os donos do mundo. Logo encontraram uma forma de se diferenciar dos animais, imortalizando suas almas. Sentindo-se com alma imortal podiam retirar e explorar da natureza todos os recursos que julgassem mais convenientes. Quem iria se opor ao seu sistema exploratório? Zeus e os deuses estavam muito distantes...

Tão rápido quanto o processo de imortalidade da alma foi o desenvolvimento de seus pensamentos, hábitos e ferramentas para viverem felizes. Pensamentos disjuntores (de viver mirando suas próprias necessidades) e redutores (de tudo reduzir à simplicidade e fugir da complexidade) começaram a serem difundidos pela mídia em velocidades frenéticas entre os indivíduos, com intenções aumentar o consumo individual e fazerem o PIB crescer.

Tudo ia bem... até que um dia alguns cientistas descobriram um enorme buraco na calota da biosfera – provocado por raios ultravioleta –, que poderia acarretar grandes tormentas, furacões, avalanches, maremotos, tsunamis, enchentes, aniquilando muitas civilizações. E agora, o que fazer? Seria a vingança e retorno de Zeus?

Realmente Zeus retornava a sua mágoa antiga, convocando a própria natureza para com seus processos complexos ecológicos estabelecer um novo paradigma de desenvolvimento humano e outras formas de conhecimento através diálogos multi, inter, transdisciplinares.

A partir daí, um pensamento complexo começa a se difundir entre os humanos, visando associar sem fundir, distinguindo sem separar as diversas espécies e formas, assim como as diversas formas de conhecimento e, inclusive, outras instâncias da realidade.

Como parte do paradigma da complexidade, necessária a uma abertura de horizontes de outros pensamentos, Zeus lançou a incerteza. Pensar de forma aberta, incerta, criativa, prudente e responsável é um desafio à própria individualidade humana.

Este é o caminho do pensamento complexo – um caminho que, embora tenha diversos princípios, oriundos da antiguidade, da modernidade e da pós-modernidade, é um caminho crítico que se faz no seu próprio transcurso, no seu próprio fazer e repensar-se continuamente.

A complexidade apresenta-se para os humanos com os traços inquietantes da confusão, da desordem no caos, da ambiguidade, da incerteza... Daí a necessidade da simplicidade para pôr ordem nos fenômenos ao rejeitar a desordem; de afastar o incerto, isto é, de selecionar os elementos de ordem e de certeza, de retirar a ambiguidade, de clarificar, de distinguir, de hierarquizar...

Simplicidade ou complexidade? Eis a questão levantada por Zeus para nossas reflexões.

Simplicidade ou Complexidade?