Inovação= ∑ Experiências + (Alegrias)K

07/09/2013

Em 1942, o economista austríaco Joseph Schumpeter cunhou em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia o conceito da “destruição criativa”, que descreve o processo de inovação no qual os empreendedores são a força motriz do crescimento econômico ao criarem novos produtos, processos e serviços, e com isto, destruir velhos e antigos modelos de negócios. Segundo ele, é necessário criar novas estruturas que possam destruir as antigas, e para isto, é indispensável um comportamento inovador, que crie condições favoráveis de mudanças.

A capacidade de empreender está relacionada às características do indivíduo, aos seus valores, suas condições psicológicas e físicas, enfim, seu modo de pensar e liberdade para agir. Os empreendedores são responsáveis pelo desenvolvimento e promoção dos rompimentos dos fluxos de atividades tradicionais para uma dinâmica geradora de novas oportunidades e permanentes estados de inovação, mudança, substituição de produtos e criação de novos hábitos de consumo. Para que este processo de inovação ocorra, considero fundamental que a expressão matemática colocada no título se materialize na prática, ou seja, a inovação é igual ao somatório das experiências do empreendedor mais as suas alegrias e realizações, elevadas a potência (K – nível de conhecimento do indivíduo).

Se por um lado o capitalismo ganhou (?), teoricamente, um protagonista importante - o empreendedor individual inovador - acho que o processo de inovação perdeu no seu contexto global. Tentarei me explicar: o processo de inovação depende, na sua essência, das experiências individuais e das alegrias deste indivíduo. Como o medo tomou conta da sociedade em todos os âmbitos, é quase certo que as experiências individuais tenham diminuído de intensidade e quantidade. Aqui me refiro ao conceito de experiências como fazer algo diferente do tradicional, daquilo que está ou foi planejado. Minhas percepções hoje me levam a quase afirmar que ocorre o inverso. Vejo que o medo do indivíduo pelo inesperado, pelo aleatório é crescente. Verifico a tentativa cada vez maior da padronização sistêmica em quase todos os sentimentos e constantes atitudes individualizadas: cursos técnicos de como fazer tudo com perfeição e ser reconhecido por todos - “ Sorria, você está sendo filmado, por todos os lados, e quem sabe, levando sua imagem para o mundo...”

Por outro lado, também verifico que os indivíduos estão com a sensação permanente de sempre estar “faltando algo” às suas vidas. O elemento satisfação/alegria individual se perdeu neste labirinto da “destruição criativa”. Viver passou a ser um procedimento básico da insatisfação individual ,seja em nosso ambiente de trabalho, doméstico, amoroso.

Se Schumpeter impulsionou a economia numa determinada época com seu motor de “destruição criativa”, penso que hoje este motor, gerador desse sistema de consumo, em longo prazo, produzirá cada vez mais gases inerciais ao desenvolvimento de empreendedores individuais à nossa sociedade. Em minha opinião, para isto ocorrer é necessário que os indivíduos tenham como base de sustentação um espírito de realização, capaz de gerar motivações e curiosidades para buscas de novas aprendizagens e inovações. A satisfação/alegria do indivíduo é o agente transformador da economia, o motor do crescimento. O empreendedor não se move só pelo lucro. Suas verdadeiras motivações estão no sonho, no desejo de conquistar, na alegria de criar, no entusiasmo de viver.

Inovação= ∑ Experiências + (Alegrias)K