Ser Empreendedor Vicejante ou Bruxuleante? Eis a questão!

05/06/2013

O empreendedorismo está em foco no mundo. Para muitos, ser um empreendedor é estar na moda, ficar na crista da onda. Mas o que move o verdadeiro espírito empreendedor? Será que as técnicas ensinadas nos cursos são suficientes para sustentar um novo empreendimento?

Muitas das tendências e características de nosso mundo contemporâneo levam-nos a pensar que existem controvérsias e conflitos de posicionamentos e conceitos relacionados ao nosso dia a dia. Se por um lado são colocados no mercado dispositivos, equipamentos que auxiliam e estimulam cada vez mais a autonomia individual, como por exemplo, os celulares, os pc´s, os automóveis, os ipods, as pílulas, etc, por outro lado, este mesmo mercado exige a complementaridade, a necessidade de um trabalho coletivo em equipes interdisciplinares, devido às complexidades científicas e tecnológicas, cada vez maiores nas organizações e entidades. Se por um lado as leis facilitam cada vez mais as separações, e respeito às individualidades, por outro, as famílias se desintegram num leve toque de “Delete”.

Diz o provérbio popular que o “hábito faz o monge”, ou seja, o processo cotidiano se corporifica às nossas ações de tal forma que as coisas passam a serem realizadas mecanicamente, sem grandes dispêndios de energias e reflexões. Outras máximas populares também entram em campo, quando afirmam que “em time que está ganhando não se mexe”.

Penso que a arte de empreender reside exatamente nas reflexões e ações de como o sujeito caminhará nestes pontos. Defino um “empreendedor vicejante” àquele que determina ações que privilegiam os seus sentidos sem levar em consideração as aprovações dos outros. Ele sente nos poros os ventos necessários às mudanças no time, mesmo que esteja ganhando de goleada; de sentir a necessidade de mudar a oração, mesmo que o grupo esteja coeso no seu mantra. Tem como sentimento, a desobediência do padrão.

Defino um “empreendedor bruxuleante” àquele cujo fogo oscila e tremula frouxamente como uma vela acesa passando por um ventilador. Ele sente nos poros a necessidade de ações constantes, tradicionais. Tem como sentimento, a obediência dos costumes.

Uma história zen sintetiza estes conceitos.

Um mestre passeando com seu discípulo por um templo solicitou ao seu discípulo que entrasse em uma das salas e participasse da palestra. Horas depois o mestre se encontra com o discípulo e pergunta: “Então, como foi a palestra? “

Discípulo: “Mestre, não entendi nada, pois estavam falando em outro dialeto”.

Mestre: “Quanto tempo você ficou na palestra?”

Discípulo: “Fiquei até terminar. O senhor não me pediu que assistisse?”

O Mestre encerra o papo, dando-lhe um tapa no rosto do discípulo, como um símbolo de “Acorde”.

Ser  Empreendedor Vicejante ou Bruxuleante? Eis a questão!