Separações e Interações

28/04/2013

Uma mãe, levando no colo seu filho, perguntou a Sócrates: “Quando devo iniciar a educação de meu filho?”.

Sócrates: “Qual a idade de seu filho?”.

Mãe: “3 meses”.

Sócrates: “Você está 12 meses atrasada na educação de seu filho”, completou o filósofo.

A maturidade de um indivíduo ou de uma sociedade depende do grau de distância ou Separação que existe entre os discursos pregados, e a Interação na prática desses conceitos emitidos.

Nesta semana estive participando de um debate no IBP cujo título era: “Desafios da educação dos engenheiros de petróleo” e muitas foram as questões levantadas no sentido de tornar o ensino universitário mais eficiente, e pudesse estabelecer uma aproximação cada vez maior entre os conteúdos teóricos às soluções dos gargalos tecnológicos de nossa sociedade.

Não foram poucas as intervenções de inúmeros professores, entidades e especialistas sobre as necessidades de interações entre os diversos setores acadêmicos e empresas, para que não só se conhecessem, como também interagissem na busca de soluções conjuntas aos problemas apresentados pela sociedade.

À medida que escutava os argumentos, recordava algumas experiências que deixaram marcas de angústias e cicatrizes na busca de como começar a resolver estas questões. Relato como uma forma de desabafo para que, quem sabe, alguém de alma caridosa possa vir em nosso socorro. De forma sintética e objetiva citarei apenas três (3) fatos para reflexões:

1 - Um casal amigo convidou-me para um jantar às 20:00 em sua residência num dia de semana. Às 20:00 em ponto toquei a campainha do apartamento. Fui atendido pela empregada doméstica, que muito sem graça, me informava que a patroa estava no cabeleireiro e o patrãozinho no escritório.

Minha conclusão: Será que eu deveria chegar às 20:00? Ou deveria chegar 21:00? 21:30? 22:00? Que horário deveria chegar?

Entendi que havia uma separação entre o discurso do casal e minha interação como convidado pois só eu havia chegado... Logo, eu é que estava errado...

2 - Um dia encontrei-me com um antigo amigo da universidade. Éramos companheiros de quarto e de estudos durante anos... Uma alegria!!! Trocamos cartões e combinamos um encontro na casa dele uma semana depois. “Passe lá em casa, cara... quero lhe apresentar minha família”. Passei no dia e horário combinado. Ninguém em casa...

Minha conclusão: Será que eu deveria ir? Deveria ter ligado antes?

Entendi que havia uma separação entre o discurso de meu amigo e a interação comigo, como convidado.

3 - Muito recentemente a imprensa brasileira apresentou a nova diretoria da Petrobras. Com muita coragem e determinação fomos informados pela atual presidenta, que os números e perspectivas anunciadas pela gestão anterior, eram muito otimistas e fora da realidade. Os navios não seriam entregues nas datas previstas... nem as sondas... nem o volume de produção de barris de petróleo.

Minha conclusão: Será que deveria ter acreditado na antiga gestão e comprado algumas ações da empresa?

Entendi que havia uma separação entre o discurso da empresa e interação com seus acionistas, (comigo)...

O que os fatos 1 e 2 têm a ver com o fato 3, com os desafios da educação dos engenheiros, e com Sócrates?

Conclusão: Somos uma sociedade em que a Separação é vista como um status de individualidade? Chegar mais tarde é ter importância? Ficar isolado e não falar com o colega de pesquisa do lado é autonomia e independência? Mimar os filhos e dar tudo que querem, sem limites, é sinal de liberdade? Como fazer a interação acadêmica? Como prever a realização de um estádio para a Copa do Mundo? Como chegar na hora? O que os outros vão pensar de mim?

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