GUARDIÃO DO TEMPO

22/04/2013

Há algum tempo atrás, uma professora de filosofia solicitou-nos uma apresentação sobre Sócrates. Limitou em 5 minutos esta apresentação. Saímos da sala, muito preocupados. Como apresentar uma obra tão grande, tão densa em apenas 5 minutos, quando especialistas, não conseguiam em 50 anos? Dia da apresentação: fui sorteado a apresentar. Quando estava no meio da relação bibliográfica, ela me interrompeu e disse que me sentasse, pois o tempo havia acabado. Fiquei totalmente frustrado e decepcionado. Nem tinha começado, e o tempo havia terminado. Será que interpretei corretamente o que a professora desejava?

Este episódio ajudou-me a entender que seria impossível fazer a apresentação no modelo que planejei. Entendi muito mais tarde, que a professora pedia, era que escolhêssemos apenas uma passagem ou algum foco de Sócrates, que pudéssemos apresentar em 5 minutos, e não toda sua obra.

Um dos pontos que acho importante refletir é a forma de como praticamos e materializamos nossos objetivos no dia a dia. Somos “Guardiões” de nossos relacionamentos, comunicações, vontades, desejos? Conduzimos nossas atividades dentro do tempo disponível, ou somos conduzidos pelas atividades imprevistas e genéricas dentro de nosso tempo indisponível?

Para simplificar, resumi em duas, as possíveis maneiras de como podemos relacionar com os outros e coisas (entendido que outros podem ser pessoas, animais, plantas, projetos, tempo e tudo o mais que nos cerca):

1 - Eu & Tu – Significa: Escuta e diálogo com o outro; escuta e respeito pelos limites e diferenças entre o Eu e o Tu.

2 - Eu & Isso – Significa: Imposições. Falta de diálogos. Amarras e obediências ao outro. Tornamo-nos um boneco de fantoche no qual todas as vontades do Outro são atendidas, sem escutas, limites e respeitos pelas diferenças.

Mas o que tem isso a ver com o título “Guardião do tempo”?

O ponto crítico da reflexão é definir e conhecer de que forma estamos relacionando nossas atividades com o tempo: se me relaciono como Eu & Tu (Eu dialogo com as atividades no meu tempo disponível), Eu sou eu: percebo os limites do tempo de execução, planejo e foco as atividades principais dentro de um diálogo com o tempo.

Se me relaciono como Eu& Isso (Sou conduzido pelas atividades imprevistas e generalizadas): Eu impondo suas atividades globais, sem escutas e diálogos com o tempo se transforma num Isso - fantoche de realizações.

Existem muitas situações generalizadas (clichês), de motivos de falta de tempo, que nos fazem “permitir” uma acomodação e ficarmos passivos, como um fantoche do tempo. Aqui estão algumas armadilhas e desculpas que nos damos:

“Grande quantidade de atividades a realizar num mesmo dia e hora... muitas informações de nosso interesse... excesso de trabalho para praticar exercícios físicos... muitas tarefas para sentar à mesa para uma refeição... o que os outros vão pensar se sair cedo?... tá tudo errado...só trabalho apagando incêndios... estou rodeado de gente incapaz de resolver os mínimos problemas... acaba tudo em minhas mãos...”

Como sair dessa? Escreva num diário de bordo (não adianta ter na cabeça...temos que escrever...) sua pauta diária de atividades prioritárias e designe um tempo para suas realizações. No dia seguinte veja o que não realizou, analise os porquês de sua não realização.

Conclusão: Pôôô...o ano já está acabando outra vez...

GUARDIÃO DO TEMPO